Tem coisas e sentimentos que podem até mudar, mas não somem, acho que esse eu vou carregar para sempre. Na vida a gente encontra e desencontra muita gente, algumas só somem outras apenas não se esforçam o mínimo para conhecer você. Outras até tentam conhecer mais simplesmente acham difícil demais.
Agosto me faz mal em vários sentidos, me parece ser o mês que reforça o fardo de não se fácil de lidar ou ser um desafio maior para o outro, por mais simples que deixe e acessível que torne essa jornada.
Parecer não ser o bastante, e é frustrante em todas as áreas, no trabalho, nos relacionamentos amorosos, familiares, de amizade e atualmente até no espiritual. É bastante cansativo.
Tudo isso ganha um peso diferente, em agosto, pois é o mês ao qual me lembro de todo abandono que já vivi, seja paternal ou relacionamentos amorosos, parece um caso tipo para Freud, mas não é tão genérico.
O fato é que esse mês é o mês do meu esgotamento fisico e espiritual, tudo se somatiza na mente e no meu corpo, que reflete tudo isso. Poderia vir ate aqui como nos últimos sei lá 7 anos, e dizer feliz aniversário mais um 13 de agosto, ou um feliz dia dos pais, para ambos que nunca de fato se esforçaram para estar comigo e pronto.
Mas é mais que isso, e bem mais profundo, pois a partir disso que veio todos os demais, todos que já foram embora, e as feriadas que só se somaram a essas duas tão presente nas minhas tentativas de viver melhor. O único conselho que sigo do genitor: você primeiro, você em segundo e você em terceiro.
Me blindou por muito tempo, e deve ser real, deve ser assim, e para o outro também dever ser, e dai somar, sentir e estar, presenciar, viver tudo isso com conceito de partilha racional. É mais complexo com passar dos anos. Tento ao máximo ser gentil comigo e entender que to fazendo o melhor que posso agora, mas o problema está na perda, de pessoas, de laços, planos o recomeçar é exaustivo.
Isso não é um relato de desistência, bem longe disso, é só uma forma desafogar. Vive muita coisa, que até hoje não acredito, lutei por além de mim mais vezes do que posso contar, não sou um exemplo ou uma mártire, para outros, para mim mesma sou todos os dias e preciso ser!
E o ponto é esse, queria que fosse mais simples, superar tudo e entender tudo e as vezes se conformar sozinha. Porém, estar com alguém que seja nesse ponto de equilíbrio sem ser eu mesma, só as vezes, seria um alívio… Como a vez que chorei por conta de como a moça do mercado foi gentil em organizar a minha bolsa de compras.
Isso tudo é muita coisa e vem derrepente quando agosto começa, se é mesmo para refletir ele me faz me sentir mal comigo, por me importar com coisas tão antigas, ele me faz sufocar por parecer no mesmo lugar desde adolescente, me trás toda essa merda de melancolia, e não vejo a hora de acabar. Quem me perdoe obaluae e omulu, mas eu não suporto essa onda de tristeza, pessimismo e frustração, que me toma em agosto.
Espero de ti a transmutação vindo dessa tristeza e melancolia, espero de ti um guinada de vida, no sentido libertador, estou no seu casulo agora e talvez até em um lugar mais escuro do que imaginava. Preciso do fogo e do trovão e da chave da minha própria essência, então peço para ti agosto e rei xapanã que passe com rapidez e leve isso para longe mais uma vez, me deixando sentir o fogo da centelha de vida que me foi dada.
Mais um 13 de agosto.